segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cemitério dos Pretos Novos




Em uma casa construída no início do século XVIII, na Rua Pedro Ernesto, 36, na Gamboa, seus donos, Merced e Petruccio, resolveram realizar reformas. Durante as escavações, no ano de 1996, eles acharam um verdadeiro sítio arqueológico enterrado as seus pés.
Embaixo da estrutura do prédio havia um cemitério secular de negros vindos da África, que não resistiam à viagem e morriam antes de serem comercializados - o então desconhecido, Cemitério dos Pretos Novos.
Junto aos entulhos, foram encontrados fragmentos de crânios e ossos humanos dentre artefatos de cerâmica, vidros, metais e outras evidências arqueológicas. Ao comunicar o achado ao Centro Cultural José Bonifácio, situado na redondeza, o assunto foi diretamente transmitido ao Departamento Geral de Patrimônio Cultural, órgão da Secretaria de Cultura, que logo mandou uma equipe de profissionais da Prefeitura e do Instituto de Arqueologia Brasileira para confirmar o potencial histórico.
O local foi transformado em sítio arqueológico e, mais tarde, em Centro Cultural, visando manter viva não só a história da cidade do Rio de Janeiro, como também a do Brasil e da África.

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BLOG DO BRUNO MARQUES: CARREIRA CURTA...

Tenho lido alguns posts do Bruno. Ele é mais um amigo de juventude, assim como o Luiz Santos. Sempre o admirei pela sua forma carinhosa e irreverente de se relacionar com as pessoas. É um cara de uma inteligência perspicaz. Sabe o que faz e sabe o que quer. Dentre tantas postagens boas, resolvi publicar esta no meu BLOG porque é muito ele. Hilário e engraçado no seu jeito de ser e de viver. Vamos rir um pouco com a leitura: 


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Outro dia falei que vendi chope quando era moleque, quero observar que esta minha carreira foi muito curta, durou dois dias.

Como já disse, comecei a vender chope com um propósito, queria comprar todos os times de jogo de botão que eu encontrasse nos meus padrões de qualidade, nem todo botão prestava, como eu dependia de papai, nem mamãe trabalhava ainda, o único jeito era vender alguma coisa, chope parecia um bom negócio, daria para custear o desejado.

Saímos para vender em um sábado, eu meu irmão e meu vizinho, já estava errado, eram três vendedores para um isopor. No primeiro dia foi um fracasso, dos 52 chopes, chupamos três cada um e vendemos 7. Apesar do fracasso, foi importante este evento por várias razões: Primeiro achei o máximo ganhar dinheiro, foi uma emoção a venda do primeiro, dei o chope e peguei a grana, fantástico. Ter sentido isso provocou em  mim um equívoco que eu só reparei anos depois felizmente em tempo de não comprometer meu futuro financeiro. Segundo: Papai e mamãe passaram a acreditar decisivamente, e acreditam até hoje, que eu tinha atitude e liderança, não só disse que ia vender chope (na última vez que pedi a ele para comprar mais times de botão e ele negou) como vendi, bem como ainda arrastei para empleitada o Ted e o Padim. O Padim era engraçado, sempre que passava alguém que conhecia a gente, ele se escondia.

No domingo fomos vender no campo do Izabelense, foi um sucesso, só estávamos nós vendendo chope lá com todo aquele sol, vendemos quase tudo e chupamos alguns, na última viagem que ia fazer em casa para abastecer o isopor, papai disse que era para deixar os últimos lá que ele pagaria, nós fomos para casa cheios de dinheiro e ainda tinha o do papai.

Os chopes que papai pagou chupamos quase todos, depois disso papai entendeu, tinha que comprar os times, com o dinheiro do chope compramos muitos times, mas não tantos assim, faltavam muitos ainda e eu os teria de uma forma ou de outra, ele preferiu realizar o meu desejo.

Dessa história ficou uma marca na gastronomia de minha família, após o domingo nós continuamos fazendo chope, só para nós mesmos, gostávamos muito e até hoje nós costumamos ter sacos de chope em casa, vez por outra fazemos, sempre com suco de fruta, nunca de suco em pó, são chopes deliciosos.
BLOG DO DIEGO SOUSA: PARABÉNS MINHA AMADA SANTA IZABEL.


Fiquei um tempinho olhando e lendo as postagens do Blog do Diego Sousa. Queria algo que pudesse traduzi-lo. Esta postagem diz muito dele. Tem um amor incondicional pela cidade de Santa Izabel do Pará. Interpreto o Diego como a paixão que se sobrepõe à razão. Enquanto editava esta postagem para homenageá-lo, ria comigo mesma lembrando da emoção dele ao me apresentar o samba enredo da escola de samba ÉGUA DE NÓS. É um cara eloquente de natureza, pois fala com paixão, convicção, mesmo que por vezes magoe algumas pessoas. Já disse a ele que quando resolver olhar-se, e não a outros, será um grande político em nossa cidade. Vamos à sua postagem em homenagem à nossa cidade: 


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"Sinto-me como todo izabelense nata deveria sentir-se no dia de hoje, um aniversariante, pois quando nossa terra mãe aniversareia seus filhos também estão de berço, não quero hoje ralatar nenhum fato negativo nesta postagem, quero apenas expressar meu orgulho e honra de ser izabelense, nascido e criado nesta terra dos rios Caraparú e Tacajós, de vilas como São Francisco, Conceição e Boa Vista do Itá de igarapés incomparáveis com suas águas geladas como as da Lagoa Azul, do nosso amado Colégio Antonio Lemos, das Fanfarras Fandol e do Ceal Campeãs nacionais, terra de Nestor Herculano símbolo do resgate de nossa história. Aprendi desde de meu nascimento com meu pai a amar esta terra e assim ensinarei a meus filhos que discutam e mostrem a aqueles que destratarem esta terra que aqui seus filhos a amam e a defendem com unhas e dentes, por tudo isso e muito mais tenho orgulho de dizer que sou izabelense". (BLOG DO DIEGO SOUSA)


Parabéns minha Amada Santa Izabel do Pará!

BLOG DO LUÍS SANTOS: Minha vida eu não li, eu não assisti... eu VIVO

Gosto das pessoas autênticas. O Luiz é um desses. Não nega suas origens. Defende sua história e seus pontos de vista sobre o mundo. Acho isso legal. Mais uma postagem desse amigo pra gente:


Nunca escondi minhas origens. Sou do bairro novo. Órfão de pai. Criado com toda luta pela D.Catarina. Cresci entre os livros e a rua. Aprendi a respeitar todo mundo nas correrias do dia a dia. Conheço todo mundo em meu bairro. Falo com respeito com todo mundo. Tenho um posicionamento politico independente. Minhas palavras são consideradas ácidas por quem não me conhece. E até mesmo por quem me conhece. Falo o que penso. Penso no que falo. Não tenho preocupação em agradar.  Falo como quem usa o martelo. Quero dizer aos que estão incomodados com minhas falas, com meus posicionamentos: eu simplesmente nao me importo; Quero responder com uma música muito ouvida na favela de onde eu vim.

 NEGRO DAMA ( RACIONAIS MC´S)
(...) Ei bacana,
Quem te fez tão bom assim,
O que cê deu,
O que cê faz,
O que cê fez por mim,
Eu recebi seu tic,
Quer dizer kit,
De esgoto a céu aberto,
E parede madeirite,
De vergonha eu não morri,
To firmão,
Eis me aqui,
Voce não,
Se não passa,
Quando o mar vermelho abrir,

Aê, na época dos barraco de pau lá na pedrera onde vcs tavam?
O que vocês deram por mim ?
O que vocês fizeram por mim ?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
Agora tá de olho no carro que eu dirijo
Demorou, eu quero é mais...



BLOG DO LUIZ SANTOS: INTELECTUAL DA FAVELA

O Luiz Santos é um amigo de longas datas. Nos conhecemos nos bancos escolares do Colégio Antonio Lemos, no ensino médio. Hoje é um cara bem contundente na defesa de suas idéias e tem uma forma muito coerente e autêntica de defendê-las. Lendo essa postagem achei muito ele. Quero compartilhar com meu leitores as palavras deste autêntico intelectual da favela:

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Intelectual da favela.

Eu nunca acreditei que existia uma blogosfera izabelense, no sentido de uma unidade, de realização de ações planejadas, de uma metodologia de ação ou ideologia reinante. Porém, uma coisa que percebi é que podemos dividir os blogueiros em pelos menos dois grupos: os do centro da cidade e os da periferia.Os do centro são os que privilegiam o gestor municipal em suas postagens. Que sempre defendem, exaltam, bajulam. É aquele tipo de blogueiro que incomoda-se com a oposição e que muda de ideologia e partido como muda de camisa. No outro lado estamos nós, intelectuais da favela e temos uma coisa a dizer pra vocês: Tanto uma coisa pra quem quer fazer revolução, quanto uma coisa pra quem quer continuar praticando as opressões brancas, masculinas, hetero, sãs, sóbrias, falantes, ouvintes, videntes, andantes, motoristas, motoqueiras, capistas, elitistas, catolico-calvinistas e burguesas que são possíveis a alguém que se diga intelectual de esquerda. Aos primeiros: venham conosco! Aos segundos: tenham medo de nós, pois demoliremos seus planos! Ou venham conosco!

Eu sou um intelectual da favela.

Sou um perigo sem precedente, porque não tenho rabo preso, e sou inteligente e erudito pra caralho!  Tatuado, grande forte e pensante. Racíonio veloz e venenoso. Passeio pelos mundos existentes nesta cidade. Tem gente que não suporta ver um favelado de carrão, com nível superior (a caminho da 3ª graduação), uma pós-graduação e um MBA. Não como às custas da exploração, sou filho legitimo da classe trabalhadora. Vocês, blogueiros classe média, são incapazes disso, porque não romperam com os benefícios elitistas,  por isso nunca terão a competência nem serão capazes de fazer a ciência crítica que faço! Meu materialismo é muito mais histórico-dialético, já nasci mais apto a compreender a concretude da relação capital-trabalho do que o de vocês, porque nasci no seio da desigualdade! Ou vocês lêem os textos que estamos escrevendo nas favelas (de madrugada, conciliando estudos, doideiras e turnos de trabalho), ou nunca serão capazes de fazer filosofia, ciência ou teoria de verdade!
ACOMPANHEI! EU RECOMENDO!

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Falta uma semana para meu regresso ao Brasil. Mas, desde já, encerro aqui minhas postagens particulares de minha estadia em Buenos Aires e minhas lembranças. Parto para postagens mais voltadas para meu trabalho. Em breve voltarei falando desta cidade linda e suas possibilidades. 
QUEM PROCURA ACHA...

Tenho lido muito o site "Conteúdos Educacionais" e tenho gostado muito do que vejo lá. Ainda hoje me deparei com uma matéria sobre o uso do "live messenger" no ensino-aprendizagem. Considero muito limitado o professor ou a escola que limita ao aluno de usar esta ferramenta. Por que não se apropriar dela e revertê-la em prol do ensino? Quando li a matéria percebi que era tudo o que eu pensava sobre o assunto. O objetivo da projeto é conectar as pessoas para trocas de idéias e informações. Sem falar que o aluno adora esta ferramenta e a conhece com muita propriedade!!! O professor interessado nesta metodologia  deve criar atividades didáticas que mobilizem a capacidade dos alunos de trocar idéias e informações. Então? Não é uma boa oportunidade de transformar nossas aulas em verdadeiros fóruns virtuais? Leia as propostas no site:


Invente... tente... faça uma aula diferente!!!


ESQUENTANDO O MOTOR PARA O TRABALHO...

Minha licença do Estado está acabando e já começo a me preparar para voltar às atividades. Pra começo de conversa, tenho pesquisado novas formas de ensinar com o uso das novas tecnologias. No site "Conteúdos Educacionais" li uma matéria sobre "Projetos Inovadores", um concurso lançado pela Microsoft. Achei muito interessante o enfoque dado à educação e ao incentivo para a criação de novas formas de ensinar. Os projetos devem estar focados para o uso das tecnologias na sala de aula.   Vale a pena visitar o SITE.


Seja um professor inovador!!! Embarque nessa idéia!!! 
NA VIDA SÓ RESTA SEGUIR


A banda "Os Tribalista" é uma de minhas preferidas na M.P.B. brasileira. O trecho que destaquei no título desta postagem é da música 'É você". Acredito que a vida é assim: um risco, um rio a fora. É até irônico uma libriana dizer isso. Mas costumo misturar o racional com a paixão. Sou repentina na tomada de decisões, mas muito minuciosa no planejamento de sua execução. Passei um ano pensando e planejando minha vinda e da minha família para Buenos Aires. Se valia a pena ou não. Meu marido faz medicina aqui há um ano e nossa família estava dividida. 2011 foi um ano de muitos desafios para mim, principalmente porque tive que aprender a ser independente. Sempre fui muito protegida por meus pais, meus irmãos e, depois, por meu marido. Quando me vi só, tive que aprender a fazer as coisas sozinha. Neste aspecto 2011 foi um ano bom. Considero o ano da minha emancipação. Talvez tenha sido essa a razão de minha decisão, diga-se de passagem madura, de vir para Buenos Aires com minha filha, meio que morar com meu marido. Digo meio porque ainda trabalho no Brasil. Então, estou entre lá e cá. Mas este foi um passo muito importante para a minha vida. Minha filha estuda aqui e aprende outra língua, conhece outra cultura e tem outras oportunidades. Eu sigo me preparando pra ficar aqui de vez daqui há alguns anos. Por enquanto vou embarcar em muitos voos. Mas considero que a vida é isso. Um risco. Minha vida ainda está focada no Brasil. Meu empego, minha casa, meus livros... mas meu coração está aqui na Argentina por causa da minha pequena família. É uma aventura muito boa viver assim. Você se sente livre, desapegado. Tenho amigos que acham que o que estou vivendo é uma loucura. Pra mim loucura seria não ter me decidido a fazer o que não estou fazendo. Aplicar meu dinheiro em paredes e móveis que me prenderiam e me fariam cada vez mais infeliz seria uma loucura. É tão bom viver  a vida... acordar e saber que se é feliz de verdade! Cada um privilegia o que lhe faz bem. Uns compram carros... outros reformam as casas... outros compram roupas... Já fiz tudo isso. Fui feliz. Agora quero o que estou vivendo. Viver DESAPEGADA!

terça-feira, 17 de abril de 2012

SOU CAIPIRA PIRAPORA...




Em Buenos Aires faz 20 graus. Amanheceu frio!!! Mas... sigamos em frente. Sentada no café da manhã com meu marido e minha filha fiquei lembrando do tempo em que morei no interior, na colônia. Passei muitos anos vivendo assim. Nasci em Pernambuco, interior de Santa Izabel do Pará, em casa. Minha mãe tinha apenas 17 anos. Uma menina!!! Ela sempre conta que eu era tão pequena que teve dó de mim. Pensou em um nome que me fortalecesse. Então me chamou de ELIZABETH e me deu o sobrenome BRAGA. Esta sou eu. Até os meus 19 anos tive uma ligação muito forte com meu pai. A partir daí, minha mãe se tornou os dois e até hoje é minha musa. Fiquei morando em colônias até os 9 anos de idade. Minha avó, minha tia e minha mãe eram professoras. Por isso fui alfabetizada em casa. Frequentei até os 9 anos uma escola de educação multisseriada. Aprendi muito lá e, até hoje, admiro minha professora pelo talento em alfabetizar alunos de diferentes idades e níveis. De lá tenho muitas lembranças boas. Tomei muito banho de igarapé, ia à missa aos domingos e participava dos bingos que ocorriam. Nunca tive sorte em ganhar alguma coisa. Não havia energia elétrica e a TV era a bateria na casa do vizinho que ficava à uns dois quilômetros da nossa casa. Todos os dias nos arrumávamos cedo da noite e saíamos pra assistir a novela das 20 h e o jornal. Lembro do meu choro de voltar tarde da noite, depois de dormir durante quase toda a programação, e meu pai às vezes me levar no colo. Havia dias que meu avô fazia café no fogão à lenha e os vizinhos chegavam para conversar. Eu armava minha rede na cozinha pra ouvir as histórias das aventuras do meu avô. Ele era caçador e pescador à noite e tinha muitas aventuras guardadas na memória. Ficava vidrada nas histórias, mas quando todos iam se acomodar não conseguia dormir de tanto medo. Lembro o quanto era difícil sair dalí. Não tinha ônibus. Então, nos sábados, viajávamos em caminhões, em cima de sacas de farinha que eram levadas à feira de Santa Izabel. Um dia escorreguei de uma dessas sacas e, não fosse pelas mãos salvadoras de meu pai, não estaria aqui pra contar a história. Apesar de todas as dificuldades que uma vida do interior possa representar, eu fui muito feliz. O lugar onde morei entre 5 e 9 anos fica no interior de Bujaru, há 12 quilômetros pra dentro. Como disse, não havia ônibus pra lá. Sempre nas voltas de Santa Izabel, íamos a pé da "Boca" pra nossa casa. Sempre digo aos amigos, quando conto essa história que me vejo no filme "A vida é bela". Meu pai era muito brincalhão e criava mil maneiras da distância não ser percebida por nós. Fazia brincadeiras, nos premiava ao longo da viagem com bombons e pipoca. Chegávamos cansados... mas felizes. A lida do dia-a-dia não era fácil. Estudávamos pela manhã e à tarde, quando não cuidávamos dos afazeres domésticos, íamos para o roçado ajudar nosso avô a limpar a plantação de mandioca, feijão... A tarde, tomávamos banho de igarapé e, ansiosos, esperávamos a janta da vovó. A velha galinha caipira no caldo, com cheiro verde e chicória, acompanhada do baião, feito com arroz pilado por ela. Tempos bons... tantas histórias...

segunda-feira, 16 de abril de 2012





ESSA É PRA MINHA PRINCESINHA ÍRIS, UMA CHICA MUITO CORAJOSA QUE ESTÁ ENFRENTANDO COM MAESTRIA A ESCOLA PÚBLICA ARGENTINA. MUITA LUZ E SABEDORIA PRA VOCÊ LHULHUCA. 


DANDO MILHO AOS POMBOS

Lembrei da música do Raul não por acaso, mas por conta da minha ociosidade. Fazia muito tempo que não tinha tempo para pensar. Percebi o quanto me fazia falta esse mergulho que estou dando no meu baú de recordações. Gosto de lembrar porque vejo o quanto mudei. Um dia meu amigo Luiz Carlos me falou isso, que mudei muito de uns anos pra cá. Claro que ele falou numa conjuntura específica. Mas acho que ele está certo. Mudei mesmo. Revendo antigas cenas, meio em preto em branco, da minha vida percebo que muito do que sou é fruto de mudanças provocadas por pessoas que passaram por mim. Para esse post, quero lembrar do Padre Claudio Barradas, uma figura polêmica em Santa Izabel do Pará mas, que para mim, foi uma das chaves da minha mudança. Sempre fui muito tímida. Na verdade me dou muito bem com a escrita. A expressão oral nunca foi meu forte. Minha mudança quanto a eloquência tem tudo haver com Claudio Barradas. Pra começo de conversa, antes de ser padre ele foi e é um grande ator. Guarda uma bagagem de conhecimentos artísticos fantástica. Meu contato direto com ele foi entre 1993 e 1995. Minha mãe sempre foi muito católica e nos encaminhou neste linha desde quando éramos crianças. Então, sou batizada, fiz primeira comunhão, sou crismada, casada no religioso... tudo conforme reza a doutrina católica. Nesta época morava no Novo Horizonte, meu lugar de infância e juventude, e meus pais eram muito engajados na Igreja e na comunidade. Comecei sendo catequista, depois fui do coral e, por último, entrei no grupo teatral criado pelo Barradas. Fui porque tinha curiosidade, mas sabia que aquilo não ia dá em nada. Com o passar do tempo fui gostando e criamos o grupo TEOFANIA. Lembro do Antonio Luiz, do Edimar e sua esposa, de meus dois irmãos e de outros tão importantes quanto estes que citei. Nossa primeira peça foi a dramatização da passagem do evangelho de Mateus (25, 31-46). Foi nossa primeira aparição. Deu tão certo que fizemos outras peças lindas. Dramatizamos "Morte e vida Severina" por várias vezes e muitas versões do "Alto de Natal". Engraçado que um tempo desses estava na feira do agricultor rural em Santa Izabel e uma senhora, frequentadora assídua da Igreja, me viu e disse: "Você era a Maria das peças do Barradas!". Ri de sua lembrança, ainda que esteja tão mudada. Me detenho aos ensinamentos do velho Barradas. Ele me provocava calafrios de medo, pois não poupava críticas e "esculhambações". Lembro que minha voz sempre foi muito baixa e tímida. Então ele sentava no último banco daquela enorme igreja e dizia que queria me ouvir. Como treinei para falar alto!!! Impor minha voz!!! Consegui. Aprendi com ele minhas primeiras lições de oratória. Ele dizia que devíamos olhar para o público sem deter o olhar em ninguém. Encarar as pessoas nos olhos dando-lhes a segurança que elas procuram... enfim... Quantas vezes saí dalí chorando... me achando uma fracassada... à noite dizia pra mim mesma: "Não sou uma fracassada. Vou fazer melhor amanhã". Valeu a pena o esforço, pois levei todo esse aprendizado pra minha profissão. Foi uma fase inesquecível. Ri muito das situações. Lembro de uma cena do "Alto de Natal" em que eu era Maria e não lembro quem era José. Um burrinho nos acompanhava e este era o Eric. Andávamos seguindo a estrela. Depois de muitos dias caminhando, perguntávamos a um caminhante à quantas estávamos de Belém e ele dizia que a cidade ficava além das montanhas. Aí o Eric desvanecia de cansaço com um jeito tão hilário que caíamos todos na risada. Essa cena foi repetida tantas vezes, e todas as vezes ríamos muito, que resolvemos suspender o ensaio neste dia. Tantas histórias...